20/02/12

O estado intermediário dos mortos

INTRODUÇÃO
Para onde as pessoas vão ao morrerem? Esta é uma pergunta intrigante que todos fazem em algum momento da vida. A Bíblia nos fala do juízo final, quando todos serão encaminhados para seus lugares eternos: o céu ou o lago de fogo. E antes desse julgamento ? Onde estarão os mortos ? Haverá um tipo de "sala de espera" do tribunal de Cristo ? Em busca de resposta a essa questões empreenderemos este estudo acerca do Estado Intermediário dos Mortos. 
A VIDA PSÍQUICA APÓS A MORTE FÍSICA
O aspecto central no ensino neotestamentário acerca do futuro do homem é a volta de Cristo e os eventos que acompanharão essa volta: a ressurreição, o juízo final e a criação da nova Terra. Mas antes de avançarmos para considerar esse assuntos, temos de dar alguma atenção ao que normalmente é denominado de "o estado intermediário" - isto é, o estado do morto entre a morte e a ressurreição.
Desde o tempo de Agostinho, os teólogos cristão pensavam que, entre a morte e a ressurreição, as almas dos homens desfrutavam do descanso ou sofriam enquanto esperavam ou pela complementação de sua salvação, ou pela consumação de sua condenação. Na Idade Média, esta posição continuou a ser ensinada, e foi desenvolvida a doutrina do Purgatório. Os Reformadores rejeitaram a doutrina do Purgatório, mas continuaram a defender um estado intermediário, embora Calvino, mais do que Lutero, tendia mais a considerar esse estado como de uma existência consciente. Em sua obra Psychopannychia, uma resposta aos Anabatistas de seu tempo, que ensinavam que as almas simplesmente dormiam entre a morte e a ressurreição, Calvino ensinou que, para os crentes, o estado intermediário é tanto de benção como de expectação - por causa disso a benção é provisória e incompleta. Desde aquele tempo, a doutrina do estado intermediário tem sido ensinada pelos teólogos da Reforma, e se reflete nas Confissões da Reforma.
Entretanto, a doutrina do estado intermediário tem sido recentemente sujeita a uma crítica severa. G.C.Berkouwer retrata o ponto de vista de alguns destes críticos em seu recente livro sobre escatologia. G.Van Der Leeuw (1890-1950), por exemplo, sustenta que após a morte somente existe uma perspectiva escatológica para os crentes: a ressurreição do corpo. Ele rejeita a idéia de que exista "algo" do homem que continue após a morte e sobre o que Deus construiria uma nova criatura. De acordo com as Escrituras, assim insiste ele, o homem morre totalmente, com corpo e alma; quando o homem, mesmo assim, recebe uma nova vida na ressurreição, isto é um feito maravilhoso de Deus, e não algo que jorre naturalmente da existência atual do homem. Por causa disso, falar de "continuidade" entre nossa vida atual e a vida da ressurreição leva ao engano. Deus não cria nosso corpo ressurreto a partir de alguma coisa - por exemplo, nosso espírito, ou nossa personalidade - mas ele cria uma nova vida do nada, de nossa vida aniquilada e destruída.
Outro crítico moderno da doutrina do estado intermediário é Paul Althaus, um teólogo luterano (1888-1966). Esta doutrina, sustenta ele, deve ser rejeitada uma vez que pressupõe a existência continuada e independente de uma alma incorpórea, e por este motivo é mesclada com Platonismo. Althaus apresenta várias objeções à doutrina do estado intermediário. Esta doutrina não faz jus à seriedade da morte, uma vez que a alma parece passar incólume através da morte. Por sustentar que, sem o corpo o homem pode ser totalmente abençoado e completamente feliz, esta doutrina nega a importância do corpo. A doutrina tira o significado da ressurreição; quanto mais aumentarmos as bênçãos do indivíduo após a morte, mais diminuiremos a importância do último dia. Se, de acordo com esta doutrina, os crentes após a morte já estão abençoados e o ímpio já está no inferno, por que ainda é necessário o dia do juízo? A doutrina do estado intermediário é completamente individualista; ela envolve mais um tipo privado de bênção do que comunhão com os outros, e ignora a redenção do cosmos, a vinda do Reino e a perfeição da igreja. Em suma, conclui Althaus, esta doutrina separa o que deve estar junto : corpo e alma, o individual e o comunitário, felicidade e a glória final, o destino de indivíduos e o destino do mundo.
Em resposta a estas objeções, deve ser admitido que a Bíblia fala muito pouco acerca do estado intermediário e que aquilo que ela diz acerca dele é contingente à sua mensagem escatológica principal sobre o futuro do homem, que diz respeito à ressurreição do corpo. Temos de concordar com Berkouwer que aquilo que o Novo Testamento nos fala acerca do estado intermediário não passa de um sussurro. Temos também de concordar que em lugar nenhum o Novo Testamento nos fornece uma descrição antropológica ou exposição teórica do estado intermediário. Entretanto, permanece o fato de que há evidência suficiente para nos capacitar a afirmar que, na morte, o homem não é aniquilado e o crente não é separado de Cristo. Veremos mais adiante qual é esta evidência.
Nesse ponto, devemos fazer uma observação sobre a terminologia. Geralmente, é dito por cristão que a "Alma" do homem continua a existir após o corpo ter morrido. Este tipo de linguagem 'freqüentemente criticado como revelando um modo grego ou platônico de pensar. Será que isso é necessariamente assim?
Deve ser admitido que certamente é possível falar da "alma" de modo platônico. É bom lembrarmos que existem divergências entre essa visão e a concepção cristã do homem.
Mas, o fato de que os gregos usaram o termo alma de modo não bíblico não implica, necessariamente, que todo uso da palavra alma, para indicar a existência continuada do homem após a morte, seja errado. O próprio Novo Testamento utiliza ocasionalmente deste modo a palavra grega para a alma, psyche. Arndt e Gingrich, em seu Greek-English Lexicon of the New Testament, sugerem que psyche, no Novo Testamento, pode significar vida, alma como o centro da vida interior do homem, alma como o centro da vida que transcende a terra, aquela que possui vida, a criatura vivente, alma como aquela que deixa o reino da terra e da morte e continua a viver no Hades.
Existem, pelo menos, três exemplos claros do Novo Testamento onde a palavra psyche é usada para designar aquele aspecto do homem que continua a existir após a morte. O primeiro deles encontra-se em Mt.10:28: "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma (psyche); temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo". O que Jesus diz é o seguinte: Existe algo seu que aqueles que o matam não podem tocar. Este algo tem de ser um aspecto do homem que continua a existir após a morte do corpo. Dois exemplos mais deste uso da palavra são encontrados no livro do Apocalipse: "Quando ele abriu o quinto sele, vi debaixo do altar as almas (psychas) daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam" (6:9): "Vi ainda as almas (psychas) dos decapitados por causa do testemunho de Jesus, bem como por causa da palavra de Deus" (20:4). Em nenhuma destas duas passagens a palavra almas pode se referir a pessoas que ainda estejam vivendo na terra. A referência é claramente a mártires assassinados: a palavra almas é usada para descrever aquele aspecto desses mártires que ainda existe após seus corpos terem sido cruelmente abatidos.
Concluímos, portanto, que não é ilegítimo nem antibíblico usar a palavra alma para descrever o aspecto do homem que continua a existir após a morte. Devemos acrescentar que, às vezes, o Novo Testamento usa a palavra espírito (pneuma) para descrever esta aspecto do homem: por exemplo, em Lucas 23:46, Atos 7:59 e Hebreus 12:23.
As escrituras ensinam claramente que o homem é uma unidade e, que "corpo e alma" (Mt.10:28) ou "corpo e espírito" (I Cor. 7:34 Tg.2:26) são inseparáveis. O homem só é completo nesta espécie de unidade psicossomática. Porém, a morte faz surgir uma separação temporária entre o corpo e a alma. Uma vez que o Novo Testamento, ocasionalmente, realmente fala das "almas " ou dos "espíritos" dos homens como ainda existindo durante o tempo entre a morte e a ressurreição, nós também podemos fazê-lo, desde que lembremos que este estado de existência é provisório, temporário e incompleto. Uma vez que o homem não é totalmente homem sem o corpo, a esperança escatológica central das escrituras, em relação ao homem, não é a simples existência continuada da "alma" (conforme o pensamento grego) mas é a ressurreição do corpo.
Passaremos agora a investigar o que a Bíblia ensina acerca da condição do homem entre a morte e a ressurreição. Comecemos pelo Velho Testamento. De acordo com o Velho Testamento, a existência humana não finda com a morte; após a morte, o homem continua a existir no reino dos mortos, geralmente denominado Sheol. George Eldon Ladd sugere que o "Sheol é a maneira vétero-testamentária de afirmar que a morte não acaba com a existência humana."
Na versão King James a palavra hebraica Sheol é traduzida diversamente como sepultura (31 vezes), inferno (31 vezes) ou cova (31 vezes). Porém, tanto na Versão American Standard como na Versão Revised Standard, Sheol não foi traduzida.
Ao passo que admite que a palavra nem sempre significa a mesma coisa, Louis Berkhof sugere um sentido tríplice para Sheol: o estado de morte, sepultura ou inferno. É bem confirmado que Sheol possa significar tanto o estado de morte como a sepultura; mas é duvidoso que possa significar inferno.
Geralmente, Sheol significa reino dos mortos que deve ser entendido figuradamente ou como designando o estado de morte. Freqüentemente, Sheol é simplesmente usado para indicar o ato de morrer: "Chorando, descerei a meu filho até à sepultura (Sheol)" (Gn.37:35).
As diversas figuras aplicadas ao Sheol podem todas ser entendidas como se referindo ao reino dos mortos: é dito do Sheol que ele tem portas (Jó 17:16), que é um lugar escuro e triste (Jó 17:13), e que é um mostro com apetite insaciável (Pv.27:20 30:15-16 Is.5:14 Hc2:5). Quando considerarmos o Sheol deste modo, temos de lembrar que tanto o piedoso como o ímpio descem ao Sheol na morte, uma vez que ambos entram no reino dos mortos.
Às vezes, Sheol pode ser traduzido como sepulcro. Exemplo claro está no Salmo 141:7: "ainda que sejam espalhados os meus ossos à boca do Sheol se lavra e sulca a terra". Entretanto, este não parece ser um significado comum do termo, e especialmente não o é porque existe um termo hebraico para sepultura, gebher. Muitas passagens nas quais Sheol poderia ser traduzido por sepultura, têm também o sentido claro se traduzirmos Sheol por reino dos mortos.
Tanto Louis Berkhof como William Shedd sugerem que, às vezes, Sheol pode significar inferno ou lugar de punição para os ímpios. Mas as passagens citadas para sustentar esta interpretação não são convincentes. Um dos textos assim citados é o do Salmo 9:15: "Os perversos serão lançados no Sheol , e todas as nações que se esquecem de Deus". Mas não há indicação no texto de que uma punição está envolvida. Fica difícil crer que o Salmista esteja predizendo aqui a punição eterna de cada membro individual destas nações iníquas. A passagem, porém, tem sentido bem claro se entendermos Sheol no significado comum, referindo-se ao reino da morte. O salmista estará então dizendo que as nações ímpias, embora agora se orgulhem de seu poder, serão extirpadas pela morte.
Outra passagem apresentada por Berkhof é a do Salmo 55:15: "A morte os assalte, e vivos desçam ao Sheol!" À luz do princípio do paralelismo que, geralmente, caracteriza a poesia hebraica, pareceria que a segunda linha está apenas repetindo o pensamento da primeira linha: a morte (ou desolação, na leitura marginal) virá sobre estes meus inimigos. Descer vivo ao Sheol, então significaria morte súbita, mas não implicaria, necessariamente, punição eterna.
Outro texto ainda citado por Berkhof, relacionado com isto, é o de Provérbios 15:24: "Para o entendido há o caminho da vida que o leva para cima, a fim de evitar o Sheol em baixo". Mas aqui novamente se encontra o contraste óbvio entre vida e morte, a última representada pela palavra Sheol.
Não foi definitivamente comprovado, portanto, que Sheol possa designar o lugar de punição eterna. Mas é verdade que já no Velho Testamento começa a aparecer a convicção de que o destino do ímpio e o destino do piedoso, após a morte, não são o mesmo. Esta convicção é expressa primeiramente na crença de que, embora o ímpio permanecerá sob o poder do Sheol, o piedoso finalmente será liberto desse poder.
A DOUTRINA DO SONO DA ALMA
Esta é uma das formas em que a existência consciente da alma depois da morte é negada. Ela afirma que depois da morte, a alma continua a existir como um ser espiritual individual, mas num estado de repouso inconsciente. Eusébio faz menção de uma pequena seita da Arábia que tinha esse conceito. Durante a idade Média havia bem poucos dos chamados psicopaniquianos, e na época da Reforma esse erro era defendido por alguns dos anabatistas. Calvino chegou a escrever um tratado contra eles intitulado Psychopannychia. No século dezenove esta doutrina era propugnada por alguns dos irvingitas da Inglaterra, e nos nossos dias é uma das doutrinas favoritas dos russelitas ou dos sectários da aurora do milênio nos Estados Unidos. Segundo estes últimos, o corpo e a alma descem à sepultura, a alma num estado de sono que de fato equivale a um estado de não existência. O que é chamado ressurreição, na realidade é uma nova criação. Durante o milênio os ímpio terão uma segunda oportunidade, mas , se eles não mostrarem um assinalado melhoramento durante os cem primeiros anos, serão aniquilados. Se nesse período evidenciarem alguma correção de vida, continuarão em prova, mas somente para acabar na aniquilação se permanecerem impenitentes. Não existe inferno, não existe nenhum lugar de tormento eterno. A doutrina do sono da alma exerce peculiar fascínio sobre os que acham difícil acreditar na continuidade da vida consciente fora do corpo.
ESTADO DOS JUSTOS ENTRE A MORTE E A RESSURREIÇÃO
A posição das igrejas reformadas é de que as almas dos crentes, imediatamente após a morte, ingressam nas glórias dos céus. Este conceito encontra ampla justificação nas escrituras, e é bom tomar nota disto, visto que durante o último século alguns teólogos reformados calvinistas assumiram a posição de que os crentes, ao morrerem, entram num lugar intermediário e ali permanecem até o dia da ressurreição. Todavia, a Bíblia ensina que a alma do crente, quando separada do corpo, entra na presença de Cristo. Diz Paulo : "estamos em plena confiança, preferindo deixar o corpo e habitar com o Senhor", II Cor.5:8.
A CONDIÇÃO DO ÍMPIO APÓS A MORTE
As passagens que falam da condição do injusto de pios da morte não são tão numerosas quanto as que encontramos a respeito da condição do justo. Porém as que temos são suficientemente claras para que não nos reste dúvida alguma sobre o assunto.
No Evangelho de Lucas lemos: "E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, erguendo os olhos, estando em tormentos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio (Lc.16:22-23)". E no verso 26 desse mesmo capítulo: "E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá".
São do apóstolo Pedro as palavras que seguem: "Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados" (II Pd.2:9).
Além dessas passagens que acabamos de citar, temos as que já consideramos em relação à condição do justo. Estas passagens, de uma maneira negativa, apoiam as outras. Destas considerações tiramos as seguintes conclusões:
Que os ímpios no estado intermediário estão em pleno exercício de suas faculdades.
Que já estão sofrendo as dores do inferno, porque o ímpio, quando fecha os olhos neste mundo, os abre no inferno.
DOUTRINA CATÓLICA ROMANA
O PURGATÓRI
De acordo com a igreja de Roma, as almas dos que são perfeitamente puros por ocasião da morte são imediatamente admitidos no céu ou na visão beatífica de Deus; mas os que não se acham perfeitamente purificados, que ainda levam sobre si a culpa de pecados veniais e não sofreram o castigo temporal devido aos seus pecados - e esta é a condição da maioria dos fiéis quando morrem - têm que se submeter a um processo de purificação, antes de poderem entrar nas supremas alegrias e bem-aventuranças do céu. Em vez de entrarem imediatamente no céu, entram no purgatório.
O purgatório não seria um lugar de prova, mas de purificação e de preparação para as almas dos crentes que têm a segurança de uma entrada final no céu, mas ainda não estão prontas para apossar-se da felicidade da visão beatífica. Durante a estada dessas almas no purgatório, elas sofrem a dor da perda, isto é, a angústia resultante do fato de que estão excluídas da bendita visão de Deus, e também padecem "castigo dos sentidos", isto é, sofrem dores que afligem a alma.
O LIMBRUS PATRUM
A palavra latina limbus (orla, borda) era empregada na Idade Média para denotar dois lugares na orla ou na borda do inferno, a saber, o limbus patrum (dos pais) e o limbus infantum (das crianças). Aquele era o lugar onde, segundo os ensino de Roma, as almas dos santos do Velho Testamento ficaram detidas, num estado de expectativa, até à ressurreição do Senhor dentre os mortos. Supõe-se que, após sua morte na cruz, Cristo desceu ao lugar de habitação dos pais para livrá-los do seu confinamento temporário e levá-los em triunfo para o céu. Esta é a interpretação católica romana da descida de Cristo ao Hades. O Hades é considerado como o lugar de habitação dos espíritos dos mortos, tendo duas divisões, uma para os justos e a outra para os ímpios.
O LIMBUS INFANTUM
Este seria o lugar de habitação das almas de todas as crianças não batizadas, independentemente de sua descendência de pais pagãos, quer de cristãos. De acordo com a igreja Católica Romana, as crianças não batizadas não podem ser admitidas no céu, não podem entrar no Reino de Deus, Jo.3:5. Sempre houve natural repugnância, porém, pela idéia de que essas crianças devem ser torturadas no inferno, e os teólogos católicos romanos procuraram um meio de escapar da dificuldade. Alguns achavam que tais crianças talvez sejam salvas pela fé dos pais, e outros, que Deus pode comissionar os anjos para batizá-las. Mas a opinião predominante é que, embora excluídas do céu, é-lhes destinado um lugar situado nas bordas do inferno, aonde não chegam as chamas terríveis.
CONCLUSÃO
Entendemos pelas escrituras que a alma permanece viva e consciente após a morte do corpo. Nesse estado, a alma do justo já se encontra na presença do Senhor, em um lugar que normalmente denomina-se "paraíso". O ímpio, por sua vez, já se encontra em tormentos no inferno. Tais lugares são de permanência temporária, até que venha o Juízo Final, e assim sejam lançados no lago de fogo para sofrimento eterno.

                                                        


Fontes:
BIBLIOGRAFIA
A Bíblia e o Futuro - Editora Cultura Cristã
BERKHOF, LOUIS
Teologia Sistemática - Edição : Luz Para o Caminho
LANGSTON, A B.
Esboço de Teologia Sistemática -
Cd estudos SEBEMGE - SEMINÁRIO BATISTA DO ESTADO DE MINAS GERAIS
Pr. Adelcio Ferreira

06/09/11

Ecumenismo


Em virtude da aproximação da Igreja Luterana e da Igreja Católica, rev. Augustus Nicodemus descreve os três tipos de ecumenismo
por Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Recentemente, representantes da Igreja Luterana e da Igreja Católica assinaram um documento de aproximação entre as duas igreja, visando estabelecer uma base comum quanto à crença na salvação pela fé. Esse evento "esquenta" mais uma vez o tema polêmico do ecumenismo.

Nesse pequeno artigo, procuro descrever os tipos de ecumenismo que existem. Trata-se de um artigo descritivo, portanto, e não de uma análise crítica. Entretanto, fica evidente que, sendo um pastor reformado, não concordo com o ecumenismo, a não ser quando o mesmo tenta promover a aproximação de denominações evangélicas bíblicas.

Ecumenismo Religioso

É a tentativa de aproximar as grandes e diferentes religiões do mundo. Essa aproximação vai desde cooperação em missões e ação social e política, até união e fusão de credos. A iniciativa tem sido principalmente de órgãos protestantes. O maior deles é o Concílio Mundial de Igrejas (CMI).

A filosofia que permite o CMI fazer esta tentativa é o pluralismo. Como o nome já indica, essa filosofia defende a pluralidade da verdade, ou seja, que não existe uma verdade absoluta, mas sim verdades diferentes para cada pessoa. Esse conceito é ambíguo, mas definitivamente já faz parte integrante da nossa cultura presente. Ele acredita que seja possível o relacionamento de pessoas com crenças e ideologias diferentes, sem que um tenha de sujeitar suas convicções ao domínio do outro. A idéia de converter alguém às suas próprias convicções é politicamente incorreto. A chave está na valorização da negociação e da cooperação em lugar de se tentar provar que se está certo ou errado.

O pluralismo religioso, por sua vez, prega o abandono da "arrogância" teológica do cristianismo, nega que exista verdade religiosa absoluta, e exalta a experiência religiosa individual como critério último para cada um. A idéia de cristãos tentarem converter pessoas de outra fé ao cristianismo é absurda. O tema da salvação em outras religiões foi discutido recentemente na Assembléia Geral do Concílio Mundial de Igrejas. O relatório apresentado trouxe debate considerável. As conversas se arrastam sem produzir qualquer progresso claro.

Uma consulta teológica sobre a salvação na Suíça patrocinada pelo CMI, composta por 25 teólogos, trouxe as seguintes conclusões:

1) Através da história, pessoas tem encontrado a Deus no contexto de várias religiões e culturas diferentes.

2) Todas as tradições religiosas são ambíguas (inclusive o cristianismo), isto é, uma combinação do que é bom e do que é ruim.

3) É necessário progredir além de uma teologia que confina a salvação a um compromisso pessoal explícito com Jesus Cristo.

Em algumas denominações o pluralismo tem sido proposto como filosofia oficial, como na Igreja Metodista Unida, dos Estados Unidos.

No momento, o ecumenismo religioso não vai indo bem. No último encontro do CMI, o assunto progrediu quase nada. O que agora estão pensando é cooperação em áreas sociais apenas, enquanto que cada religião mantém sua individualidade. Parece que o sonho de uma religião mundial única está acabando.

Ecumenismo Cristão

Este tipo de ecumenismo tenta a aproximação entre os grandes ramos da cristandade, ou seja, a Igreja Católica, a Igreja protestante, e a Ortodoxa, e entre os diversos ramos protestantes entre si. Algum progresso existe. A liderança da Igreja Episcopal e da Igreja luterana Evangélica na América concordou, depois de duas décadas de negociar, darem comunhão entre si, reconhecer os cleros e ordenar bispos em conjunto. Cada grupo retém sua autonomia. A liderança de oito denominações protestantes alcançaram acordo preliminar sobre as suas igrejas, formando uma "comunhão de convenção" na qual cada denominação iria, embora ainda autônoma, aceitar os ministros e sacramentos dos outros.

Os católicos romanos continuam dialogando bilateralmente com luterano, líderes da igreja Anglicana, e Ortodoxos em um esforço para achar solo teológico comum. Até mesmo algumas igrejas Pentecostal que tendem a ser anti-ecumênico parecem propensas para relações mais abertas. A Igreja Cristã (os Discípulos de Cristo, denominação americana com mais de 1 milhão) entrou para a história ecumênica de protestantes e católicos em sua Assembléia Geral em agosto elegendo Monsenhor Philip Morris, padre católico romano, como membro votante da sua Comissão Executiva.

Ecumenismo Evangélico

É a tentativa de aproximação entre igrejas evangélicas, a nível de cooperação em atividades evangelísticas e sócio-políticas, e mesmo de fusão organizacional. Por exemplo, a cooperação interdenominacional de igrejas e ministros--muitos dos quais não estariam interessados no ecumenismo cristão ou religioso – que se unem para patrocinar uma cruzada de Billy Graham. Vale lembrar que o número de denominações diferentes chegou a 22.000 em 1985 e continua crescendo a uma taxa de cinco novas todas as semanas.

Muitas igrejas conservadoras permanecem opostas a esforços ecumênicos por causa da teologia liberal e da agenda de trabalho políticos dos conselhos nacionais e mundiais que geralmente estão por detrás destes esforços. E uma razão ainda maior, é porque a verdade não deve ser sacrificada no altar da unidade eclesiástica.